Inclusão também é cuidado: mais do que acessibilidade, é pertencimento
- Ricardo Moscardi
- 31 de out. de 2025
- 2 min de leitura
A paralisia cerebral é uma condição neurológica crônica que afeta o movimento, o tônus muscular e a postura. Mas ela também impacta e muitas vezes limita o acesso da criança a um direito essencial: o de pertencer.
A discussão sobre inclusão muitas vezes para a acessibilidade física. Rampas, adaptações, cadeiras especiais… tudo isso importa, claro. Mas o que realmente transforma a vida de uma criança com paralisia cerebral é quando ela é acolhida como parte ativa do ambiente seja na escola, na família, nos atendimentos de saúde ou na sociedade.
Inclusão real não se resume a permitir o acesso. Ela exige escuta, presença e protagonismo.
A paralisia cerebral é causada por uma lesão cerebral que ocorre ainda em fase de desenvolvimento, geralmente antes ou logo após o nascimento. Os sintomas variam bastante desde quadros leves com pequenas alterações de tônus até formas graves, com dependência total de cuidados.
Por isso, cada criança com paralisia cerebral é única, e os caminhos para sua autonomia também devem ser personalizados.
A boa notícia é que, nos últimos anos, a medicina avançou muito no cuidado com essas crianças. Hoje, é possível contar com recursos como:
🔹 Fisioterapia intensiva e funcional;
🔹 Intervenções precoces com foco em neuroplasticidade;
🔹 Neurocirurgia funcional (como rizotomia dorsal seletiva e bomba de baclofeno);
🔹 Fisiatria e reabilitação integrada; Fonoterapia e suplementação nutricional
🔹 Terapia ocupacional e tecnologias assistivas.
Esses recursos têm um objetivo comum: não apenas tratar os sintomas, mas abrir caminhos para o desenvolvimento e a participação ativa.
Uma criança com paralisia cerebral precisa, sim, de tratamento adequado, mas também precisa de espaço para brincar, conviver e aprender como qualquer outra.
A escola, a comunidade, os serviços de saúde e os espaços públicos devem estar preparados não apenas para receber, mas para incluir.
Porque o maior erro que podemos cometer é olhar para uma criança pela limitação e não pela potência.
Quando falamos de inclusão, estamos falando de cidadania. De garantir que essas crianças tenham voz, escolhas e oportunidades reais de se desenvolverem com dignidade.
E esse processo exige muito mais do que acessibilidade física. Exige uma rede interdisciplinar atenta e um compromisso coletivo com o direito de ser quem se é.
Tratar uma criança com paralisia cerebral é ir além da técnica. É ouvir as necessidades da família, respeitar os tempos de cada criança e trabalhar com metas funcionais que façam sentido na vida real.
Mais do que adaptar espaços, é preciso ampliar mentalidades.
Porque toda criança merece crescer onde se sinta possível. E isso, mermã, se chama pertencimento.
Você trabalha ou convive com crianças com paralisia cerebral? Compartilhe esse conteúdo com sua rede e vamos juntos fortalecer a inclusão que transforma.





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